O navio de cruzeiros de expedição Ocean Endeavor, da companhia Quark Expeditions, faz hoje uma escala não programada na baía de Porto Belo em Santa Catarina. A embarcação entrou na baía hoje, 24/03/2017, por volta das 09 e 30 onde permanece até o momento, 11:14 horas.

Não há programação para desembarque de passageiros.

O navio está em um longo roteiro de reposicionamento. Durante o verão no Hemisfério Sul fazia operava viagens regulares a Antártica partindo de Ushuaia na Argentina. Agora, que se aproxima o verão no Hemisfério Norte, o navio fará viagens entre o Canadá, Groelândia e o Ártico.

O Ocean Endeavour foi construído em 1982. Possuí 137 metros de comprimento e tem capacidade para 199 passageiros. Hoje navega com bandeira das Bahamas. Suas dimensões reduzidas são apropriadas para roteiros de expedição com visitas a lugares inacessíveis para embarcações maiores.

O turismo de navios de cruzeiros marítimos está enfrentando mares agitados no Brasil. Custos operacionais altos, ambiente regulatório complexo e infraestrutura dificitária são as principais queixas das empresas de cruzeiros. Somadas ao desenvolvimento de novos mercados, notadamente China e Cuba, explicam a redução de navios destinados ao nosso litoral na próxima temporada. Enquanto tivemos 2o embarcações no verão de 2010/2011, teremos apenas 07 na temporada 2016/2017.

A região Sul será a mais atingida. Experimentará a maior redução de escalas, de número de passageiros desembarcados e de cidades onde há desembarque. Das cinco cidades que já receberam navios – Paranaguá, São Francisco do Sul, Itajaí, Porto Belo, Florianópolis e Imbituba – apenas Porto Belo continuará a faze-lo. São apenas 08 escalas agendadas. Pouco para portos que, juntos, já receberam mais de 100 escalas.

Para Antônio Carlos Lopes, diretor da Casa do Turista, operador de receptivo especializado em cruzeiros marítimos, “Além dos entraves macroeconomicos e regulatórios que aflingem todos os portos do Brasil, Santa Catarina sofre com a infraestrura deficiente. Os maiores navios não podem atracar nos portos de Itajaí e São Francisco do Sul. Já em Florianópolis e Imbituba não existem estruturas habilitadas para desembarque de passageiros de navio. E, finalmente, Porto Belo precisa nacionalizar os navios que vem ou vão para o exterior.”

Enquanto isso outros destinos no mundo experimentam forte e constante crescimento. Segundo Marco Ferraz, diretor da ABREMAR – Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos – “Enquanto o mercado mundial ganha 1 milhão de novos cruzeiristas todos os anos, o Brasil viu em 6 anos, sua frota de 20 navios ser reduzida para apenas 7, que é o previsto para este ano”.