Postagens que abordam a história de Santa Catarina, curiosidades e fatos pitorescos.

Os topônimos de Porto Belo, Bombinhas e região tem origem diversa. Alguns derivaram de nomes indígenas, como: Araçá, Perequê, Macuco; outros foram dados em função de seus principais moradores. Praia do Cardoso, da Conceição, Ponta do Lopes são alguns exemplos. E tem aqueles nomes dados em função de características locais, praia de fora, praia triste (ganhou o nome praia das pitangueiras por um empreendimento imobiliário nos anos 80). Também praia vermelha, praia do baixio, Canto Grande, etc.

Algumas destas designações sofreram alterações por motivos diversos, como mostram registros antigos em mapas e documentos. O Mariscal era a praia onde atualmente se encontra a pousada Atalaia. O que conhecemos hoje por Mariscal era a Praia do Inferno. Para Bombas, já encontramos o uso  da palavra Pombas e para Bombinhas,  a Prainha das Pombas. Antigamente a praia de Bombas era a Praia Grande. Em Santa Luzia o morro e rio dos Bobos foram chamados dos Lobos. Situações estas interpretadas pelos cartógrafos ou escrivães da época que pensavam tratar-se de algum erro de escrita, relativamente comum naqueles anos. Um caso de mudança recente é a praia do Rebelo, localizada entre Bombas e Bombinhas, que passou a ser praia do Ribeiro.

Outro exemplo destas alterações ocorridas nos topônimos da nossa região é o caso de Zimbros. Pessoalmente sempre me questionei do porque deste nome. O zimbro, cujo nome científico é juniperocomunis, é uma planta medicinal arbustiva que alivia dores, irritações da pele e inflamações. Com as bagas de zimbro são feitas ou aromatizadas bebidas alcoólicas conhecidas por genebra, gim, wacholder ou steinhaeger, todas elas originárias do centro/norte da Europa. Esta planta é muito comum naquela parte do velho mundo, mas não existia no Brasil antes da vinda dos imigrantes, principalmente alemães e belgas. Assim chega se a conclusão de que a localidade no município de Bombinhas que hoje conhecemos por este nome, devia ter outro.

 Nos mapas antigos que mostram a enseada de Tijucas e a que começa no Canto Grande e se estende em direção ao rio Tijucas, é denominada Enseada de Zimbo com sua Ponta de Zimbo, e ainda aparece com este nome até 1863.

Mas o que quer dizer Zimbo, palavra que deu origem a esta parte de Bombinhas?
Zimbo é uma concha bastante abundante naquela praia, o que chamou a atenção dos primeiros visitantes ou moradores.

Somente a partir de 1870/75 o topônimo original sofre a transformação para Zimbros por motivo já mencionado e o conservou até hoje.

No final do ano de 1848, uma luz que aparecia na Ilha do Arvoredo chamou a atenção dos pescadores que foram verificar a sua origem. No local, encontraram um eremita, que residia numa gruta, até hoje denominada “gruta do monge”.  Segundo a narração das pessoas que tiveram ocasião de vê-lo era ele um venerado ancião, de alta estatura, vestido com um burel remendado, e de longas barbas brancas. Além das rezas que ensinava, o homem dava remédios para certas moléstias e sabia curar por benzedura. Os roceiros, como é natural, o ficaram desde logo adorando. E dentro em pouco, uma peregrinação de doentes e devotos, que eram conduzidos em pequenas frotas de canoas e lanchas, se estabeleceu entre todos os povoados do litoral próximo e a ilha. Presentes de toda ordem, gêneros e dinheiro, chovias na Gruta do Monge, levados de toda a parte por essas populações dadivosas e ingênuas. E quando um como vago culto pelo eremitão parecia querer aflorar nessas almas puras e simples, ele, que era já para muitos o “virtuoso” e o “santo”, deixou o ilhote e sumiu-se. Mas quem era o monge da ilha do Arvoredo?

É natural que o culto ao monge da ilha logo chamou a atenção das autoridades da capital do Estado, na época ainda a cidade de Desterro. Assim, interessado em desvendar quem era aquele a que todos chamavam de “o monge milagroso do Rio Grande”, o pároco Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva foi até a Ilha do Arvoredo em 10 de fevereiro e 1849. Dias depois escreveu um relatório que foi encaminhado ao presidente da província de Santa Catarina. Neste relatório afirma que o monge possuía bons conhecimentos das Escrituras, era versado em teologia e sabia perfeitamente as línguas latina e francesa e, como um verdadeiro anacoreta, tinha se convencido de que melhor poderia servir a Deus buscando o ermo e a solidão. Vivia em contínua oração, na mais completa abstinência e entregue a vigílias e mortificações. Tratava-se do jesuíta italiano Giovanni de Agostini.

Giovanni de Agostiniviveu no Brasil por quase dez anos, de 1843 a 1852, entre o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul. Itinerante como os padres jesuítas de antigamente, usava longas barbas que o deixava com a aparência dos profetas bíblicos. Vestia hábito religioso e calçava sandálias rústicas. Diferenciando-se dos religiosos, Agostini possuía habilidades manuais, pois fabricava rosários e crucifixos de madeira e chumbo que eram trocados por alimentos e dinheiro para prosseguir peregrinando. Estudioso da natureza aprendeu a combinar ervas plantas, raízes e folhas com água de certas fontes para uso medicinal. Receitava chás e preparava unguentos para curar enfermos com problemas de pele. Ao se demorar nos lugares, o número de pessoas a procurá-lo aumentava sem que ele pudesse colocar obstáculos, e o povo já o via como santo capaz de realizar milagres, venerando-o e seguindo seus passos. No interior do Rio Grande do Sul, entre os anos de 1846 e 1848, as notícias de curas ditas milagrosas ultrapassaram as fronteiras atraindo multidão de doentes, curiosos e especuladores de países vizinhos como a República Oriental do Uruguai e o Paraguai, além das províncias de Corrientes e Entre-Rios. Os jornais sul-rio-grandenses do período deram cobertura ao extraordinário evento, afirmando que um monge estrangeiro havia descoberto “Águas Santas” que a tudo e a todos curava. A repercussão chamou a atenção das autoridades do Império brasileiro que iniciaram uma investigação a respeito do eremita. O então desconhecido italiano Giovanni de Agostini saía do anonimato e entrava para a história como “monge João Maria”, que se auto-exilo por algum tempo na Ilha do Arvoredo após ser “degredado” do Rio Grande do Sul por causa do “fanatismo” que ali se desenvolvera e que ameaçava a ordem pública da província.

Conheça um pouco da história, fatos pitorescos e curiosidades de Santa Catarina. Com destaque para os municípios de Bombinhas, Itapema, Porto Belo e Balneário Camboriú.